Reforma Tributária IBS e CBS: entenda o que muda no preço de venda da sua empresa (2026)

A Reforma Tributária já começou a fazer parte da rotina das empresas brasileiras. Em 2026, iniciou-se a fase de implementação do novo modelo de tributação sobre o consumo, que vai substituir gradualmente diversos impostos atuais por dois novos tributos principais: o IBS e a CBS.

O que são IBS e CBS em 2026?

De forma simples:

  • CBS: tributo federal que substituirá PIS e Cofins.
  • IBS: tributo estadual e municipal que substituirá ICMS e ISS.

A mudança será feita aos poucos até 2033.

Como seu preço é formado hoje

Imagine uma empresa que compra um produto por R$ 700 e vende por R$ 1.000.

Regra antiga — exemplo simplificado:

  • Custo do produto: R$ 700
  • Venda: R$ 1.000
  • Margem bruta: R$ 300
  • Sobre essa operação existem os tributos atuais, como ICMS, PIS e Cofins, conforme o regime e a operação.

Depois da reforma

Regra Nova – Exemplo simples de uma venda

Imagine que uma empresa venda um produto por:

Valor do produto: R$ 1.000,00

Em 2026, IBS e CBS estão sendo utilizados com uma alíquota de teste de 1%, sendo 0,1% de IBS e 0,9% de CBS.

IBS – 0,1%: R$ 1,00
CBS – 0,9%: R$ 9,00

Total IBS + CBS: R$ 10,00

Exemplo:

Produto: R$ 1.000,00
IBS + CBS: R$ 10,00
Total: R$ 1.010,00

Esse é apenas um exemplo para demonstrar o cálculo. A situação real de cada empresa pode ser diferente.

E quando as alíquotas aumentarem?

É aqui que o empresário precisa ficar atento.

Imagine, apenas para facilitar a compreensão, que no futuro uma determinada operação tenha uma carga de IBS + CBS de 25%.

Se a empresa precisa receber R$ 1.000,00 pela venda, uma simulação simples seria:

Valor sem imposto: R$ 1.000,00
IBS + CBS (25%): R$ 250,00
Valor da venda: R$ 1.250,00

Ou seja, se a empresa simplesmente absorver os R$ 250,00 de impostos, sua margem de lucro poderá diminuir.

Por outro lado, se repassar o impacto para o preço, o consumidor poderá pagar mais.

É justamente por isso que a formação de preço será um dos pontos mais importantes durante a transição.

Mas a empresa não terá créditos?

Terá, de acordo com as regras aplicáveis.

Um dos principais pontos do novo sistema é a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários nas operações que atendam aos requisitos da legislação.

Por exemplo:

Uma empresa compra determinada mercadoria por R$ 500,00 e depois vende por R$ 1.000,00.

O cálculo do imposto não deve ser analisado simplesmente como:

R$ 1.000,00 × alíquota

É necessário considerar também os créditos gerados nas operações anteriores.

Por isso, duas empresas que vendem produtos pelo mesmo preço podem ter impactos diferentes dependendo de seus fornecedores, regime tributário, atividade e quantidade de créditos.

O que o empresário deve fazer?

Não é necessário esperar 2033 para começar a se preparar.

A empresa já deve:

  • revisar seus preços de venda;
  • conferir o cadastro dos produtos;
  • verificar NCM e classificação tributária;
  • atualizar o sistema de emissão de notas;
  • conversar com o contador;
  • analisar os créditos tributários;
  • simular diferentes cenários de preço.

Em 2026, os documentos fiscais já precisam contemplar os campos relacionados ao IBS e à CBS, conforme as regras de implementação.

Um exemplo prático para entender o impacto

Imagine uma loja que vende um produto por R$ 2.000,00.

Hoje, ela calcula seus custos e impostos e consegue uma margem de lucro de R$ 300,00.

Com a mudança na tributação, suponha que o impacto líquido dos novos tributos e créditos faça a margem cair para R$ 220,00.

A empresa terá algumas opções:

Manter o preço em R$ 2.000,00:
Lucro estimado: R$ 220,00

Aumentar o preço para R$ 2.100,00:
Pode recuperar parte da margem, mas o produto fica mais caro para o cliente.

Recalcular custos e fornecedores:
Pode ser possível recuperar parte da margem sem repassar todo o aumento ao consumidor.

Esse é o ponto principal da Reforma Tributária para o empresário:
Não basta saber quanto será o imposto. É preciso saber como ele afetará o custo e a margem da empresa.

Conclusão

A Reforma Tributária não significa automaticamente que todos os produtos ficarão mais caros.

O impacto dependerá de cada empresa e de cada operação.

O empresário que começar a simular preços, revisar custos, analisar créditos e preparar seu sistema terá muito mais segurança durante o período de transição.

A Reforma Tributária está chegando. E preparar o preço de venda agora pode fazer toda a diferença para proteger a margem de lucro da sua empresa.

Importante: as regras da Reforma Tributária estão em fase de regulamentação e implementação. As informações deste artigo têm caráter informativo e devem ser analisadas de acordo com a atividade, regime tributário e situação específica de cada empresa.

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